terça-feira, novembro 11, 2008

Adaptação

Pela janela entra a luz alaranjada do pôr-do-sol. A televisão chega da sala de estar trazendo anúncios em lingua castelhana. A ponta dos meus dedos apreciam o teclado que parece macio, enquanto penso que, se os momentos são efémeros, também transportam neles toda a eternidade.

Hoje vi um pássaro pairar dois segundos como um colibri gigante. Foi um momento mágico. Tenho-o fotografado na mente e tranformo a paz desse momento num bocado que trago ao canto do coração. Para não sofrer do equívoco de viver. Está tudo certo. Até agora tem corrido tudo bem, apesar do mal. O pouco que falo chega-me, não para ser feliz, ainda, mas para sobreviver. Qualquer dia volto para o mundo e saio desta gaiola onde estou metido. Aí vou fazer por colocar em prática o meu mais antigo ideal. O humano que há em todas as pessoas sobressaindo sobre a sua parte animal e triste. É que o humano é essencialmente alegre e prazenteiro. Aparece em todos nós no primeiro sorriso de reconhecimento. E ao longo de toda uma vida é esse sorriso, às vezes esporádico demais, que vai alimentando e reforçando essa primeira humanidade. O sorriso é o mesmo e no fundo nada em nós muda desde o início. O que muda e está sempre a mudar é a realidade. Quando esta deixar de mudar atingimos o grau de desenvolvimento que nos permite viver sem sofrer. Até lá estaremos sempre na corda bamba do acaso suportados pela muleta a que damos o nome de adaptação. Até lá seremos animais humanos a tender para a plena humanidade.

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